sábado, dezembro 06, 2008

O Parlamento que temos

Um projecto do CDS-PP que recomendava a suspensão e simplificação da avaliação dos professores poderia ter sido aprovado no Parlamento, não fossem as ausências de deputados nas bancadas da oposição, em especial do PSD, do qual faltaram à votação 30 deputados!

Como é possivel que a oposição tenha perdido esta oportunidade para derrotar a maioria socialista pelo menos numa votação!?
Como é possível tamanha irresponsabilidade?

Será que esses tais deputados serão avaliados nas próximas eleições?

3 comentários:

Penedo disse...

Vitor, como facilmente de depreende, és favorável à suspensão do processo de avaliação. O que eu gostava de saber era como pode viver uma classe profissional um ano de trabalho sem qualquer avaliação.
Existem várias possibilidades sobre as quais gostaria de saber publicamente a tua opinião.
1) Se a suspensão desse modelo implica não existir avaliação este ano lectivo, isso demonstra cabalmente que os professores não querem ou não estão preparados para serem avaliados pelos seus pares.
2) Se me disseres: suspende-se este modelo, mas ficamos provisoriamente com o anterior, isso significa que não és sensível a professores como eu que por serem contratados não podiam ter a classificação de "Bom" no modelo anterior. De uma classe profissional maioritariamente de esquerda, penso que os meus colegas deveriam ser mais solidários com os professores na minha situação, pois o facto de ser contratado não significa ser pior professor ou menos profissional, logo sou peremptoriamente contra o modelo anterior embora nunca tenha visto ninguém dizer que o modelo anterior é terrivelmente injusto e mau.
3) Se não existir avaliação, como ficam os professores como eu, que planificam a longo e médio prazo, para cada aula têm um plano, lêem quase diariamente artigos de investigação científicos para melhorar a prestação, investem "fortunas" na sua própria formação, em relação aos meus (agora nossos) colegas que dão aulas com as mãos nos bolsos, não têm um plano de aula, não foram capazes de me darem um documentos de avaliação razoável e digno da disciplina que lecciono?
Caro irmão, amigo e colega, não existir avaliação só vem premiar esses professores e é profundamente injusto para os professores que como eu trabalham afincadamente diariamente.

Não temo a avaliação e até ao limite da lei irei reclamar o direito de ser avaliado com dignidade, ao contrário do que o modelo anterior fazia.

Um amplexo.

Vitor Mota disse...

1) Sabes quem te iria(irá) avaliar, por exemplo na nossa escola?
2) Uma medida nunca deve ser imposta para agradar ou satisfazer as necesssidades de uma minoria. Qual é a percentagem de contratados?
3) Tu estás a utilizar o mesmo argumento da Ministra e que começou por considerar que a maioria dos professsores são uns irresponsáveis e não planeiam nem sabem planear aulas. Esta ideia é falsa. Vejo uma maioria de bons professores. Por outro lado, parece-me que te consideras melhor do que todos os teus colegas. Supõe que não sejas e/ou que as cotas não te permitem chegar ao desejado muito bom ou excelente. Como ficarias nessa situação?

Eu tb não temo a avaliação e não estou a fazer nada que não fazia antes. Apenas vejo que este modelo não está a trazer nada de bom à Escola e pelo contrário tem trazido confusão, ansiedade e preocupações. Talvez se fosses professor titular ou membro de um Conselho executivo entendesses melhor as angústias porque tem passado para fazer o impossível!

É a minha opinião apenas.

Penedo disse...

Vitor,
Acredito que o novo modelo de avaliação seja desgastante para quem o aplica, contudo, qualquer nova medida assim é. Por isso não pode ser considerado argumento para não se avançar.

O facto dos contratados serem a minoria, não significa que deva existir um sistema de avaliação que descrimine a minoria, isso seria tudo menos um sistema justo e democrático. Por isso reitero, o antigo sistema era terrivelmente mau e injusto e não premiava verdadeiramente o mérito.

Nunca me considerei melhor do que os meus colegas, porque felizmente conheço muitos bons profissionais, colegas que tenho como modelo e que me ensinaram muito do que hoje sei, e.g. professores Isabel Bettencourt, Jorge Videira, Nuno Ferro, Manaças, Jorge Mira, Fernando Teixeira, Inês Pereira e muitos outros. Não obstante, considero-me, e sei que sou, muito trabalhador porque um dia quero ser como esses professores que mencionei.
Conheço a minha disciplina e seu o que invisto na minha formação e também sei o que os meus colegas investem e vejo diferenças substanciais. Já cheguei inclusivamente a ouvir piadas por estudar muito, quando o meu único objectivo é saber mais para melhorar como profissional. Já cheguei a ouvir piadas, na escola onde lecciono actualmente, por ter uma ficha de registo individual para cada aluno, porque isso leva muito tempo, parecendo até que a componente não lectiva não serve para estas coisas.
Como vês, repito, não me considero e nunca me considerei melhor, considero-me, e sei que sou, muito trabalhador.

Relativamente ao facto de não ter a nota esperada, isso nunca será um problema, apenas devo ter a nota que mereço, pois o processo de avaliação, como todos aprendemos na formação inicial, é um processo rigoroso e científico, e serve, fundamentalmente, para melhorar o desempenho no futuro. Caso tenha uma nota abaixo do esperado, a avaliação serivirá para melhorar no próximo ano.

Sobre quem me irá avaliar, na verdade não sei, não creio que seja um problema que tenha que resolver. Todavia, se não existir na escola um professor que não tenha essa competência, com tantos anos de serviço, isso significa que alguma coisa não está bem e o problema não esta no ME, mas nos professores.
Quando tiver 20 anos de serviço ou mais espero ser capaz de avaliar os meus colegas, caso contrário serei um profissional que mediocre.

Um amplexo