segunda-feira, outubro 19, 2009

José Saramago precisa de conhecer o verdadeiro Deus

Hoje podia-se ler e ouvir nas notícias o seguinte:
Os comentários do Prêmio Nobel de Literatura José Saramago ofenderam a igreja católica de Portugal. — A Bíblia é um catálogo de crueldade e do pior na natureza humana — disse no domingo Saramago, durante a apresentação de sua nova obra, Caim.
O frei Manuel Morujao, porta-voz da igreja católica portuguesa, respondeu que as declarações do autor de Ensaio sobre a cegueira eram "ofensivas'' (in Diário Catarinense)

Lamento duas coisas:
1) as opiniões do escritor nobel, as quais são habituais no mesmo, sempre que deseja promover as suas obras,
2) a falta de uma reacção formal também por parte da comunidade evangélica (pelo menos que seja conhecida).

De qualquer modo, continuo a crer que um dia este homem, mesmo que seja no seu leito de morte, venha a reconhecer quem Deus é verdadeiramente. Talvez recordando as palavras de um folheto evangelístico, que um dia tive a oportunidade de lhe dar na Universidade de Aveiro.
No entanto, e graças a Deus, é também notícia nestes dias a publicação da nova "Bíblia para todos". Que se continue a falar mais na Bíblia.

5 comentários:

Tinoca Laroca disse...

Que se ore por Saramago.
God bless you,
T.

Ego ipse disse...

Afinal e contra o que é hábito a Aliança Evangelica lá tomou uma posição - bem timida, por sinal. Mas a verdade é que a Biblia tambem acabou por ser publicitada (Agora uma nota amarga: Como não conseguimos fazer ouvir a nossa voz... às vezes as pedras falam)

Anónimo disse...

Liberdade de expressão é a liberdade para os outros dizerem não apenas o que consideramos gravemente falso, mas também o que consideramos inadmissível, ofensivo e indesejável.
Se começarmos a policiar o pensamento alheio, mostrando-nos muito ofendidos e dizendo que certas afirmações são intoleráveis, não estamos a explicar por que razão tais afirmações são falsas, estamos apenas a fugir do assunto, dizendo que é inadmissível promover a independência da mente.

Defender a liberdade de expressão não é afirmar a nossa concordância com o teor do que se diz, mas sim, permitir aos outros manifestar as suas ideias apesar de não concordarmos com o que todos eles dizem. O que não é correcto é censurar, ofender ou denegrir quem não veja as coisas como você vê, ou quem chegue a conclusões diferentes.

A autêntica liberdade do ser humano é permanecer “não contaminado” por superstições e crenças injustificadas que deformam a percepção da realidade.

E já agora, daquilo que Saramago disse, o que é que não está escrito na bíblia?

Darius

Vitor Mota disse...

Caro Darius
Concordo com a liberdade de expressão, mas esta é um bem comum. Por outro lado, ao criticar a minha crítica (reacção às palavras de Saramago), também não estará a não me conceder a liberdade de expressão que eu também tenho? Ou será que ela é exclusiva de certas pessoas?

Diz que: "O que não é correcto é censurar, ofender ou denegrir quem não veja as coisas como você vê, ou quem chegue a conclusões diferentes." Creio que foi exactamente isso que Saramago fez ao proferir as suas afirmações. Imagine que alguém ofendia uma pessoa que o Darius ama muito, será que não reagia?

Eu julgo que não ofendi o sr. Saramago com a minha discordância das suas palavras. Apenas disse que lamentava as suas opiniões. Não foi meu propósito discutir neste lugar as mesmas, porque de nada serviria isso, mas apenas deixar registado que não podemos simplesmente ouvir tudo e não reagir sob pretexto da liberdade de expressão.
No dia seguinte às mesmas declarações, o escritor clarificou que a sua opinião não é apenas literária, mas também pessoal, acusando Deus de ser alguém vingativo e rancoroso. Não será isto ainda mais ofensivo, confundindo realmente aquilo que a Bíblia naturalmente revela sobre a natureza humana e o próprio Deus, quer se creia nele ou não?

Anónimo disse...

Caro Vítor

Eu não disse que você ofendeu o escritor ou que direito á liberdade de expressão lhe estaria vedado. O que eu comentei foi que o direito á liberdade de expressão permite, a quem quer que seja, manifestar as suas opiniões mesmo que discordemos delas.
E que ao mostrarmo-nos ofendidos com certas afirmações, que consideramos intoleráveis ou insultuosas, estamos a promover a suspeição de que o respeito pelas outras religiões, ou pelos pontos de vista dos não crentes, não é uma atitude defendida por deus.

Na minha opinião, que até pode ser suspeita, toda esta polémica fica a dever-se ao problema das interpretações, convenientes ou por conveniência, á intolerância e á duplicidade, ou ambas, dos crentes. E digo isto porque, a interpretação literal dos textos permite-nos concluir exactamente o que Saramago referiu.
Quando se diz que a bíblia é “a verdade” não se deve excluir, por conveniência, alguns textos para posterior interpretação metafórica. Ou é, ou não é. Foi a interpretação literal que penalizou Galileu.

Noutro exemplo, permita-me questionar como explicaria a uma criança que por recomendação do seu “deus” [vem na bíblia no Deutoronômio (13:6,10)], deve-se apedrejar o pai, a mãe ou o irmão se estes se desviarem “dele” ou do caminho da fé verdadeira, ou doutrina dele.

Numa interpretação literal temos exactamente aquilo que Saramago diz: um deus invejoso, (porque pretende ser o único e não admite rivais) cruel (porque promove a violência mesmo contra a família) e sanguinário (porque ordena o apedrejamento até á morte). Ou seja, o pior da natureza humana.

Quanto a mim, um “deus” que recomenda o apedrejamento, até á morte, de um filho, de um pai, de uma mãe ou seja de quem for… o maior favor que poderia conceder á humanidade era deixar de existir.

Darius