domingo, novembro 09, 2008

A Irredutibilidade da Srª Ministra

Estive hoje na manifestação dos professores.

Também lamentei o facto da Plataforma Sindical não ter optado por unir e mobilizar todos os sindicatos e movimentos de professores numa manifestação única no dia 15, por ter sido esta, acho eu, a primeira data a ser sugerida.

No entanto fui à manifestação de hoje porque era preciso mobilizar o maior número de docentes, porque estou preocupado com o estado real da educação, com o futuro da educação dos meus alunos (e também com o futuro da minha filha) e não só com a minha situação como professor.

Infelizmente já ouvimos a reacção de tranquilidade da Srª Ministra. Diz que compreende o mau estar dos professores mas não faz nada para mudar porque segundo ela, está a fazer aquilo que é melhor para a Escola. Ora, eu acho que a Srª Ministra realmente não está (ou não quer estar) bem inteirada do que se passa nas escolas actualmente. Certamente recebe relatórios, (tal como as estatísticas da avaliação), apenas com os resultados positivos das medidas implementadas e que escondem "o lado negro" dessas mesmas medidas.

Será que é enganada pelas suas fontes de informação ou quer fechar os olhos para a realidade?

Não percebo como alguém pode ficar novamente indiferente a mais de 100 mil docentes que declaradamente mostraram a sua insatisfação com este estado de coisas.

Um líder é alguém que sabe ouvir as bases, como se diz na política. Um líder é alguém que sabe motivar para a mudança, mas de uma forma compreensível e aceite por aqueles que são agentes dessa mudança. Um líder na área da educação é alguém que sabe educar para a mudança.

Sem dúvida que a Srª Ministra não é uma líder destas. É uma líder que impõe a "mudança" pela força da Lei. É uma líder que decreta sem conhecer as consequências nefastas do decretado. É uma líder irredutível aos gritos de socorro e de alerta dos professores. É uma líder que não ouviu, não ouve nem quer ouvir aqueles que realmente vivem, sofrem e lutam pela Escola e pela Educação.

A manifestação de hoje foi bem organizada pela Plataforma Sindical. Mas, mais do que nunca os interesses dos professores não são movidos por forças politicas e sindicais mas por uma real preocupação com o estado da educação em Portugal.
O que será preciso para a Srª Ministra entender isto e responder positivamente ao grito de socorro e de alerta dos professores?
p.s.- algo que me impressionou hoje foi o minuto de silêncio que se teve no final da manifestação. Houve realmente silêncio absoluto numa avenida com mais de 100 mil pessoas. Nas aulas hoje, com 25 alunos, o silêncio para ouvir o professor, é algo ultrapassado!

quinta-feira, novembro 06, 2008

Yes, We Can!

Em Março deste ano tinha escrito:
"Conforme constato pessoalmente, a educação está transformada numa batalha por resultados rápidos para "inglês ver", desprovida de prazer pelo processo educativo, repleta de experimentações legislativas não testadas e descabidas da realidade, através de uma imposição autoritária e asfixiante."

Oito meses passados, esta afirmação continua cada vez mais actual.
- A melhoria "impressionante" dos resultados dos exames nacionais já foram classificados como um autêntico milagre. Mas era isso que se queria: mostrar resultados. Não importa se não são reais.
- O novo estatuto do aluno, no que diz respeito às medidas disciplinares e ao novo regime de faltas, não faz sentido, é complicadíssimo e não produz efeitos positivos notórios. Parece que a única intenção é tornar a vida dos professores, e em especial dos que são Directores de Turma, uma autêntica burocracia sem sentido.
- Quanto ao processo de avaliação dos professores, está a decorrer, pelo menos na minha Escola. Sim, temos de cumprir a legislação, tal como diz José Gil, de forma domesticada. É isso que os nossos líderes ministeriais pretendem. No entanto, mesmo que se faça, será sempre uma avaliação desprovida de "alma".
- Não há vida, alegria e motivação no ensino actual por parte da grande maioria dos professores. Até os próprios alunos estão a perceber que o ensino não atravessa um bom período. Contestam um regime rígido mas por outro lado sabem que a aprendizagem está pouco exigente e por isso não há o empenho adequado nem o respeito mínimo em grande parte dos alunos.

Será que podemos fazer algo para mudar esta situação?
Yes, We Can!
Podemos continuar a desempenhar a nossa função da melhor maneira que soubermos e conseguirmos, apesar das circunstâncias adversas. Mas acho que também devemos continuar a denunciar de todas as maneiras possíveis e imaginárias o verdadeiro estado da educação em Portugal. Uma dessas maneiras é a manifestação pública!

sexta-feira, outubro 24, 2008

Zé Carlos e Morangos

Segundo o JN , o sketch dos Gato Fedorento sobre o famoso computador Magalhães, no passado domingo, originou o record de reclamações à Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

Eu, que também me considero algo conservador, considero que a sátira feita não foi contra os valores religiosos católicos mas sim contra a "colocação ao nível quase do sagrado" de um objecto material, como se ele fosse a salvação de todos os problemas, no caso, do ensino das crianças.

Ora, o ensino, não só o das crianças do 1º ciclo mas dos outros ciclos também, necessita urgentemente de "ser salvo porque está em risco grave de vida". Como dizia um Encarregado de educação há uns dias: "dão-se computadores às crianças mas não livros!".

De qualquer modo, as reclamações aos programas de televisão não se ficam pelo "Zé Carlos" e os "Morangos com Açúcar" também acumulam algumas.

No meu entender, o primeiro tem um propósito crítico e aborda com acutilância alguns problemas do nosso país, sendo por isso formativo. Quanto ao segundo programa já não posso afirmar o mesmo. Dos poucos excertos que vejo, a formação que dão aos adolescentes e jovens é, ao nível dos relacionamento, do sexo fácil e, ao nível escolar, de uma atitude de desrespeito total pela aprendizagem, onde a actividade principal das aulas é enviar sms.

Ora, eu preferia que os meus alunos dessem mais atenção às críticas proferidas no "Zé Carlos" do que à contra-formação disponibilizada diáriamente pelos "Morangos". Mas infelizmente não é à toa que se chama à geração de adolescentes e jovens de hoje: "Geração dos Morangos"!
Quem lida diariamente com alunos em escolas básicas, sabe do que estou a falar.

Quem concorda, junte-se à manifestação dos professores no dia 15 de Novembro (ou 8) em Lisboa!

domingo, outubro 12, 2008